Como funciona uma consultoria ESG: etapas, benefícios e escolha da parceira ideal

 

Estratégia ESG: etapas, benefícios e escolha da consultoria

A implementação da estratégia ESG deve ser realizada de forma totalmente integrada à estratégia do negócio para que seja considerada parte fundamental da organização, visando sua própria sustentabilidade em longo prazo. Uma consultoria especializada em ESG não atua apenas como uma prestadora de serviços pontuais, mas como uma parceira capaz de facilitar a transição da organização para a nova economia que estamos vivendo. Esse processo é facilitado quando há engajamento da alta liderança, estabelecimento de instrumentos de governança e métricas concretas, que darão sustentação e demonstrarão os resultados para o negócio.

A Gaia | Negócios de Impacto analisa o estágio de maturidade de cada cliente, suas motivações, desejos e preocupações, para oferecer uma consultoria customizada para cada necessidade. Independentemente disso, existem algumas etapas que são fundamentais para a implementação de uma estratégia de sustentabilidade, apresentadas a seguir de forma genérica — lembre-se de que, para cada realidade, essas etapas podem variar, ser implementadas em diferentes momentos e com diferentes níveis de profundidade.

As principais etapas para uma estratégia ESG

1. Diagnóstico

O ponto de partida é sempre a análise da situação atual da organização em relação aos pilares ambiental, social e de governança. A Gaia | Negócios de Impacto possui um questionário próprio para o diagnóstico ESG, que pode ser substituído por instrumentos de mercado já preenchidos pela organização (como a ferramenta da EcoVadis, BV ESG360, Indicadores Ethos, Sistema B ou outros). Essa etapa inclui também a verificação de documentos institucionais — políticas, procedimentos, instruções normativas, presença de certificações, materiais de comunicação (relatórios, sites, redes sociais), indicadores e metas, entre outros — além de entrevistas com representantes da alta liderança e de áreas-chave relacionadas às práticas ESG.

2. Mapeamento de stakeholders

Toda organização impacta e é impactada por diversas pessoas, grupos ou outras organizações. Esses públicos de relacionamento, também chamados de partes interessadas ou stakeholders, precisam ser mapeados e classificados considerando seu grau de influência (poder) e de interesse (econômico, social e/ou de propriedade) em relação à organização analisada. Com base nessa classificação, são priorizadas as partes interessadas mais relevantes, dentre tantas que podem ser analisadas: acionistas, colaboradores/as, lideranças, fornecedores, clientes, consumidores, comunidades do entorno, órgãos reguladores, órgãos governamentais, instituições financeiras, instituições de ensino, startups, cooperados/as (no caso de cooperativas), revendedores/as (no caso de negócios com venda direta), parceiros de negócios, entre outros. A classificação dos stakeholders permite a definição de um plano de comunicação e engajamento adequado para cada situação (ver etapa 8).

3. Análise de Materialidade ESG

É uma metodologia, utilizada inicialmente pela Contabilidade, que identifica e prioriza os impactos ambientais, sociais e de governança mais significativos, considerando a perspectiva da organização (interna) e a perspectiva dos públicos priorizados (externa).

Para as organizações que realizam essa análise pela primeira vez, é recomendada a Materialidade de Impacto, que mapeia os impactos significativos da organização — reais ou potenciais — nas pessoas ou no ambiente, considerando todas as operações e também a cadeia de valor. Após alguns ciclos e maior maturidade, pode-se passar a realizar a Dupla Materialidade, que integra a essa análise a Materialidade financeira — ou seja, mapeia como os fatores ESG influenciam ou poderão influenciar o valor financeiro e o desempenho da própria organização.

As principais etapas do processo são:

  1. Diagnóstico ESG da organização (realizado na etapa 1);
  2. Estudo de movimentos de mercado, regulatórios e posicionamento de outras empresas do mesmo setor (benchmark);
  3. Identificação dos impactos ESG, reais e potenciais;
  4. Mapeamento e priorização de stakeholders (etapa 2) ou sua revisão, caso já tenha sido realizado anteriormente;
  5. Entrevistas com alguns representantes-chave dos públicos priorizados;
  6. Pesquisa via formulário online com os stakeholders;
  7. Estruturação da materialidade (de impacto ou dupla), com elaboração da matriz e seleção de comentários relevantes;
  8. Identificação dos temas materiais, que serão validados pela organização.

 

A identificação dos temas sociais, ambientais e de governança mais críticos e prioritários será a base para a estratégia ESG da empresa e é uma exigência obrigatória para a publicação de Relatório de Sustentabilidade em padrões globais, como os da Global Reporting Initiative (GRI).

4. Construção da estratégia ESG

Essa é a etapa central para uma organização que deseja atuar de forma estruturada nas temáticas ESG. Idealmente, ela tem como base os resultados da materialidade (que consideram as perspectivas interna e externa, por isso são ferramentas tão valiosas), mas, caso a organização entenda que ainda não é possível realizar uma análise de materialidade, isso não impede o início da construção da estratégia.

Com o diagnóstico e as entrevistas da etapa 1, somados a um estudo de mercado (item 3.2), a consultoria é capaz de facilitar discussões sobre o cenário atual e o desejado, com priorização de temas ambientais, sociais e de governança relevantes para a construção de uma estratégia realista e, ao mesmo tempo, com metas desafiadoras.

Nessa fase são estabelecidos, a muitas mãos, os compromissos, indicadores e metas em sustentabilidade, embasados por documentos formais (como uma Política de Sustentabilidade) que nortearão a atuação da organização em curto, médio e longo prazo, de forma integrada à estratégia de negócios.

5. Plano de ação ESG

A melhor forma de desdobrar a operacionalização da estratégia é a elaboração de um plano de ação, que deverá conter: iniciativas, área/pessoa responsável, áreas/pessoas envolvidas, recursos necessários, resultados esperados, entregáveis e cronograma. O plano prioriza a implementação de ações que contribuam para os temas materiais, mas pode incluir outras consideradas estruturantes, como a definição de um Comitê ESG. Também é possível estabelecer a correlação entre as iniciativas e compromissos públicos, como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

6. Implementação

Na fase de implementação, as diretrizes do plano de ação entram na rotina da empresa. A consultoria oferece suporte técnico especializado, facilita workshops, capacita equipes internas, ajusta fluxos de trabalho e assessora a integração entre áreas essenciais como Gestão de Pessoas, Operações, Jurídico, Financeiro, Suprimentos, Meio Ambiente, Marketing, TI, Comunicação, entre outras.

7. Mensuração de resultados ESG e contribuição para o negócio

A mensuração contínua é fundamental para atestar a evolução da estratégia. A consultoria estrutura o monitoramento de dados confiáveis, atrelados aos temas materiais, como consumo de recursos, emissões de gases de efeito estufa, geração de resíduos, taxas de diversidade, índices de acidentes de trabalho, avaliações ESG de fornecedores, capacitações em ética e temas correlatos, análises de dados dos canais de denúncia, entre outros que avaliem o avanço na direção das metas definidas, atreladas aos resultados para o negócio. Aqui podem ser combinadas ferramentas simples (como a gestão à vista) com tecnologia (ferramentas de gestão), garantindo precisão e apoiando a tomada de decisão.

8. Comunicação e engajamento

Ao longo de todo o processo, a organização é incentivada a continuar em contato com seus públicos priorizados, idealmente tendo como base um plano de relacionamento adequado ao que se espera de cada stakeholder. O plano pode conter ações de pesquisa, diálogo, treinamento e engajamento, sempre pautadas na ética e na transparência.

Uma importante ferramenta de comunicação é a publicação anual de um Relatório de Sustentabilidade, que inicialmente não precisa adotar um formato padrão e, com a maturidade, pode evoluir para a aderência às diretrizes reconhecidas pelo mercado (como GRI, SASB ou Relato Integrado IFRS S1 e S2). O posicionamento da empresa em ESG, suas metas e iniciativas também podem ser divulgados no site institucional, em campanhas internas, no processo de integração e em outras apresentações institucionais, sempre com referências e respaldo em evidências e com extremo cuidado para não cair no Greenwashing.

Principais benefícios da consultoria ESG para as organizações

A inserção da sustentabilidade na estratégia das instituições proporciona resultados tangíveis e, em sua maioria, ganhos intangíveis, em curto, médio e longo prazo:

  • Redução de riscos: identificação e mitigação de riscos operacionais, trabalhistas, climáticos, regulatórios, éticos, reputacionais e outros, evitando multas, passivos ou interrupções nos negócios.
  • Fortalecimento de marca e reputação: construção de credibilidade junto ao mercado, fundamentada na coerência entre os compromissos assumidos e os dados evidenciados.
  • Diferenciação no mercado e fidelização: destaque em processos licitatórios, concorrências comerciais e na atração de parceiros, clientes e consumidores que priorizam a sustentabilidade.
  • Maior eficiência: redução de desperdícios, otimização do uso de água e energia, adoção de economia circular e revisão de processos para contenção de custos operacionais.
  • Aprimoramento da governança: implementação de controles internos, governança transparente, código de ética, ouvidoria e mecanismos rigorosos de compliance.
  • Engajamento e retenção de colaboradores/as: valorização do ambiente de trabalho, identificação das pessoas com a missão e o propósito da organização, ações que promovem diversidade, equidade, inclusão, saúde e bem-estar, favorecendo a atração e retenção de talentos.
  • Inovação e tecnologia: estímulo ao desenvolvimento de produtos e serviços mais sustentáveis, novos modelos de negócios e ferramentas que geram otimização e integração.
  • Antecipação de demandas regulatórias: preparação do negócio, antecipando possíveis tendências regulatórias nacionais e globais, assegurando adequação legal e a implementação de processos com prazos maiores e, portanto, maior qualidade.
  • Captação de investimentos: o aumento da transparência e a redução dos riscos ESG tornam a empresa mais atraente para fundos de investimento e facilitam o acesso a capitais mais baratos.

 

Consultoria ESG para Pequenas e Médias Empresas (PMEs)

Existe o mito de que a consultoria ESG é um serviço voltado exclusivamente a grandes organizações. No entanto, Pequenas e Médias Empresas (PMEs) podem e devem estruturar sua estratégia ESG, adequando as ações ao seu porte, trabalhando de forma simplificada e sempre integrada ao negócio. Cada vez mais as PMEs são cobradas a apresentar suas ações ambientais, sociais e de governança por grandes clientes de sua cadeia de valor, instituições financeiras e órgãos reguladores.

As mesmas etapas apresentadas acima podem ser realizadas em menor tempo e com menor custo, mas com resultados efetivos e que podem ganhar maturidade com o crescimento da organização:

  • Diagnóstico ESG inicial simplificado;
  • Mapeamento de poucos stakeholders, que possam contribuir mais para o processo do que gerar demandas;
  • Estudo simplificado de movimentos de mercado, regulatórios e posicionamento de outras empresas do mesmo setor (benchmark);
  • Definição dos temas materiais prioritários apenas pelo público interno;
  • Definição de um plano de ação enxuto e exequível, priorizando ações de baixo ou nenhum custo inicial;
  • Parcerias com clientes e/ou fornecedores de maior porte para a realização de ações conjuntas;
  • Priorização de poucos compromissos, indicadores e metas, focados em um ciclo inicial que pode ser futuramente ampliado;
  • Inclusão da temática ESG em ações de comunicação já existentes.

Relembrando que a Gaia | Negócios de Impacto trabalha com projetos customizados, coerentes com o porte e o setor de cada organização, possibilitando que todas atuem com ações cada vez mais sustentáveis e integradas ao negócio.

Como escolher a consultoria ESG ideal

A escolha da consultoria ESG é fundamental para o sucesso do projeto, para que ela se torne efetivamente uma parceira e facilitadora dos processos. É recomendável avaliar:

  • Missão e valores, para que estejam alinhados aos da sua organização;
  • Currículo dos/as profissionais, considerando os projetos implementados na consultoria, mas também no mundo corporativo, no terceiro setor ou em outras instituições (vivência dos desafios de implementar as ações ESG);
  • Competência técnica, que pode ser comprovada por meio de atestados de clientes atendidos;
  • Abordagem metodológica adotada, domínio de ferramentas e frameworks;
  • Depoimentos de clientes, que são parte da reputação da consultoria;
  • Experiência com projetos em diferentes setores, para organizações de diferentes portes;
  • Forma de comunicação, capacidade de entendimento da realidade da sua organização e elaboração de proposta customizada.

A Gaia | Negócios de Impacto atua como parceira estratégica nessa jornada, oferecendo soluções personalizadas que contemplam, mas não se limitam, às etapas aqui listadas. O propósito é gerar valor compartilhado, com resultados perenes para sua organização, a sociedade e o meio ambiente.

 

Fernanda Féder Paraná

Bióloga licenciada pela UFPR, pós-graduada em Estratégia e Sustentabilidade Empresarial pela FAE Business School.
Consultora de Sustentabilidade e Diversidade & Inclusão na Gaia | Negócios de Impacto, trabalha há mais de 20 anos com as temáticas de sustentabilidade/ESG.

Quer saber como inserir a sustentabilidade no seu negócio?