Quando contratar uma Consultoria em ESG: sinais e momentos estratégicos

As consultorias oferecem um olhar externo às vivências do cliente, gerando oportunidades de repensar ações do dia a dia e torná-las mais estratégicas e assertivas para o negócio (leia mais no artigo “Consultoria ESG: por que ela agrega tanto valor para as organizações”).

Quando se trata de uma consultoria para sustentabilidade/ESG, este olhar está focado em inserir as questões ambientais, sociais e de governança nas organizações. Como são temas extremamente amplos e que, ao mesmo tempo, demandam muita profundidade, é fundamental que você identifique qual a fase de desenvolvimento de sua organização para que os resultados sejam direcionados para sua evolução. Na Gaia | Negócios de Impacto realizamos tanto o diagnóstico do estágio da estratégia de sustentabilidade, como o diagnóstico da fase de desenvolvimento da organização, conforme a necessidade de cada cliente.

Além dessa análise interna, é imprescindível também conhecer os fatores externos que podem direcionar sua organização para a contratação de uma consultoria em ESG. A seguir, estão detalhados alguns momentos e sinais estratégicos que demandam esforços adicionais na atuação em sustentabilidade, que podem ser atendidos por uma consultoria em ESG:

1. Quando clientes começam a exigir práticas ESG

Muitas organizações buscam uma consultoria no momento em que grandes clientes ou parceiros comerciais passam a solicitar evidências concretas da atuação em sustentabilidade de seus fornecedores. Se sua organização presta serviços ou vende produtos, ela está sujeita às solicitações cada vez mais exigentes de clientes e consumidores. Essas demandas costumam se manifestar formalmente por meio de:

Processos de homologação de fornecedores com requisitos ESG;
Condicionantes em licitações públicas e concorrências privadas;
Auditorias periódicas de processos e compliance;
Envio de questionários que contemplam questões ESG;
Exigências contratuais quanto à ações ambientais, sociais e de governança;
Solicitação de Relatório de Sustentabilidade;
Solicitação de certificações ESG (como ISO 14001 e 45001, EcoVadis, Sistema B, entre outras);
Resultados de estudos de ciclo de vida dos produtos.

Diante desses cenários, a Gaia pode auxiliar no atendimento das demandas dos clientes e consumidores com ações que estejam alinhadas ao seu negócio, com ferramentas e processos que poderão ser incorporados ao dia a dia e irão gerar valor para a organização, além do atendimento da demanda com evidências robustas.

2. Quando a instituição quer melhorar sua posição no mercado
Uma estratégia ESG bem estruturada é capaz de fortalecer a reputação da organização e alavancar sua diferenciação competitiva no mercado. Organizações que demonstram responsabilidade, ética, boa governança corporativa, transparência, ações sociais e ambientais com impacto positivo, destacam-se perante clientes, investidores, fornecedores e seu próprio público interno, neste caso gerando engajamento e retenção.

Em setores altamente competitivos, ter uma estratégia de sustentabilidade já deixou de ser um diferencial, para ser uma obrigação. Critérios ESG, inovação, tecnologia entre outros fatores já integram a decisão de compra de organizações preocupadas com a sustentabilidade em longo prazo e de consumidores cada vez mais conscientes.

A Gaia pode te ajudar a agregar valor e potencializar ações dispersas já existentes, bem como estruturar a atuação em ESG, construindo uma narrativa consistente e respaldada por dados e evidências, possibilitando um forte posicionamento no mercado e comunicação de valor real.
3. Quando a organização busca crédito, investimento ou expansão
A atração de capital, o acesso às linhas de crédito com melhores condições e os planos de expansão corporativa demandam cada vez mais uma sólida gestão das questões sociais, ambientais e de governança. Diversos fundos de investimento e instituições financeiras passaram a adotar critérios ESG como filtro eliminatório, avaliando criteriosamente a exposição das instituições aos riscos climáticos, de escassez de recursos, trabalhistas, de relações com a comunidade, regulatórios, reputacionais, de compliance, entre outros, juntamente com os riscos financeiros (de crédito, liquidez, etc). Essas exigências partem do pressuposto que organizações que atuam concretamente em sustentabilidade gerenciam melhor seus riscos e têm menor propensão a enfrentar problemas em seu negócio a médio e longo prazo.

A B3 (antiga Bovespa – Bolsa de Valores de São Paulo) é a principal bolsa de valores do país. Em 2005 ela criou o ISE B3 – Índice de Sustentabilidade Empresarial, que serve como um indicador de desempenho para as empresas de capital aberto que adotam as melhores práticas ESG e estão listadas na bolsa. Em 2025, o ISE B3 subiu 23%, enquanto o Ibovespa (principal índice da bolsa “tradicional”) avançou 16%. Esse resultado representa uma valorização de 7 pontos percentuais a mais (ou seja, um desempenho financeiro superior) para as companhias com estratégias de sustentabilidade.

Com o avanço dos padrões globais de divulgação financeira, como a prestação de contas por meio dos modelos IFRS S1 (riscos e oportunidades de sustentabilidade) e o IFRS S2 (divulgações relacionadas ao clima), a relação do desempenho ESG com a análise de risco, o custo de capital e a decisão de investimento também ficou ainda mais evidente. A Gaia auxilia sua organização a definir/qualificar sua estratégia e ações ESG, a definir e mensurar indicadores auditáveis, a estabelecer metas concretas e a publicar relatórios transparentes para apresentar ao mercado financeiro e aos fundos de investimento, que estão cada vez mais exigentes.
4. Quando existem riscos ambientais, sociais ou de governança
Toda atividade produtiva e de prestação de serviços gera impactos sociais e ambientais. Enquanto alguns impactos são menores e mais fáceis de evitar ou mitigar, outros podem resultar em severos passivos sujeitos a multas, riscos operacionais, quebras na cadeia de suprimentos, perda de contratos estratégicos e graves danos ao meio ambiente, à comunidade e à reputação da organização.

Independente do porte ou setor da sua organização, os riscos ESG precisam ser mapeados, classificados e priorizados para ações de prevenção e de mitigação. Após um trabalho eficiente nesse sentido, pode-se definir um plano de ação para geração de impactos sociais e ambientais positivos, alinhados às necessidades que vivemos, no momento de transição para uma nova economia.

Entre os riscos/impactos mais comuns, pode-se destacar:

Descarte inadequado de resíduos sólidos e/ou efluentes;
Consumo ineficiente ou excessivo de água e/ou energia;
Emissões de poluentes e gases do efeito estufa, sem um plano de descarbonização;
Impactos à organização em decorrência das mudanças climáticas (como escassez de recursos, por exemplo);
Ocorrência de acidentes de trabalho ou falhas que comprometem a saúde, segurança e bem-estar;
Conflitos com comunidades do entorno;
Inexistência de código de ética e conduta, e de canal independente de ouvidoria;
Ausência de políticas e procedimentos de ética, anticorrupção, interação com o Setor Público, entre outras;
Situações de discriminação, microagressões, assédios, que podem culminar em denúncias e processos;
Fornecedores operando em desacordo com normas trabalhistas e/ou ambientais na cadeia de valor;
Vulnerabilidades na segurança da informação e falhas na proteção de dados;
Falta de governança corporativa, processos e ferramentas formais de controle.

Alinhada às diretrizes da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) para a realização de diligência baseada em riscos em operações e na cadeia de valor, a consultoria ESG opera como uma ferramenta preventiva e estratégica. Ela capacita a organização a mapear vulnerabilidades, priorizar ações de prevenção e corretivas, instituir processos eficientes de governança e controle, visando a mitigação dos riscos/impactos e geração de resultados positivos.
5. Quando há ações de sustentabilidade dispersas, mas ainda sem estratégia
Muitas organizações já realizam iniciativas ambientais e sociais ou de governança no seu dia a dia. Muitas vezes, estas ações são conduzidas de forma isolada (por pessoas ou áreas), desconectadas da estratégia de negócio e com resultados pontuais. Alguns exemplos comuns:

Campanhas internas para economia de água e energia;
Estrutura interna para separação de resíduos, com estímulo à reciclagem;
Doações financeiras para projetos, em especial via benefício fiscal;
Ações sociais que contam com a participação voluntária de colaboradores e colaboradoras;
Celebração de datas comemorativas (ex: Semana do meio ambiente);
Palestras e ações de sensibilização voltadas para a diversidade e inclusão.

Embora relevantes, essas ações correm o risco de perder tração e recursos quando não estão conectadas a uma estratégia abrangente, articulada entre todas as áreas, com indicadores e metas quantificáveis, e estrutura de governança. A Gaia apóia as organizações na estruturação e implementação de uma estratégia ESG totalmente inserida na estratégia de negócio, com definição de temas prioritários por meio do Estudo de Materialidade (leia o tópico 6 deste artigo), direcionando a atuação da organização para resultados reais e efetivos. Lembrando que esse trabalho personalizado se aplica a todos os setores e tipos de organizações: empresas, startups, cooperativas, instituições de ensino, setor público, organizações não governamentais, entre outras.
6. Quando a organização precisa priorizar suas ações
Algumas instituições realizam muitas ações ESG, conduzidas por diferentes áreas, que demandam investimento financeiro, de pessoas, recursos tecnológicos e outros, com resultados que acabam ficando dispersos dentre tantas frentes abertas. Outras ainda não começaram e não sabem exatamente quais temas priorizar dentre todas as possibilidades de ações sociais, ambientais e de governança.

Em ambos os casos (e outros, considerando a realidade de cada instituição), o Estudo de Materialidade pode ser usado como uma ferramenta estratégica de direcionamento e priorização. Nesse processo, a Gaia irá te apoiar na:

Identificação dos temas que estão sendo tratados no seu setor (estudo de benchmark, de contexto de mercado e regulatório);
Levantamento dos seus principais públicos de relacionamento (stakeholders), bem como da sua relação de influência e interesse com eles;
Definição de temas ESG prioritários para o seu negócio, considerando a visão do público interno e externo (entrevistas e questionário online);
Levantamento de percepção dos stakeholders sobre sua atuação em ESG;
Definição de plano para os temas priorizados.

Esse processo reconhece que cada organização, considerando seu segmento de mercado, porte, fase de desenvolvimento, missão/visão/valores e outras particularidades, possui prioridades específicas e que, para identificá-las, é fundamental escutar os públicos de relacionamento. Por exemplo, uma indústria precisa focar na gestão da água e efluentes, dos resíduos e das emissões de gases do efeito estufa, mas pode acabar descobrindo que seus stakeholders têm demandas urgentes e significativas quanto à suas exigências em ESG para a cadeia de fornecimento, ou sua atuação na comunidade, ou ainda quanto a um canal de comunicação e denúncias. O estudo também acaba estabelecendo um canal de diálogo com estes público, que pode ser aproveitado para melhorar o relacionamento e a visão destes sobre a organização.

7. Quando a organização quer comunicar suas ações ESG
Divulgar compromissos e resultados de ações sociais, ambientais e de governança exige precisão, transparência e comprovação. Quando uma organização decide divulgar sua atuação em sustentabilidade, ela precisa primeiramente ter processos internos que garantem seu atendimento à legislação (é o mínimo, mas que muitas vezes não é atendido). Em seguida, deve ter iniciativas implementadas, com resultados mensurados e evidências de que seu trabalho está gerando valor que vai além do financeiro, que efetivamente gera transformação positiva no meio ambiente e na sociedade.

As equipes de Comunicação e Marketing precisam ser muito cuidadosas ao realizar as ações de divulgação, para não divulgar informações falsas, vagas, exageradas ou enganosas sobre o impacto ambiental ou social positivo da instituição, do seu produto ou serviço, que poderiam ser enquadradas como Greenwashing (“lavagem verde”) ou seus similares.

Os erros comumente cometidos, segundo o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), são:

Incerteza: vagueza e imprecisão nas informações
Falta de provas: não apresenta evidências ou certificação de terceira parte
Troca oculta: destaca alguns atributos sem considerar que há outros tão importantes quanto
Distração: a declaração do atributo de sustentabilidade é verdadeira mas pode distrair os consumidores de outros impactos ou malefícios dos produtos ou serviços
Mentira: informações falsas ou utilizadas de forma indevida
Falsos rótulos: não atestados/verificados por terceira parte
Irrelevância: é uma obrigação legal ou então não aplicável a este tipo de produto/serviço

Muitas vezes a comunicação adotada pode ser parecer “inofensiva”, mas caso se enquadre como Greenwashing (enquadramento no Código de Defesa do Consumidor por publicidade enganosa) a organização está sujeita a multas e sanções de órgãos reguladores, retirada de anúncio e/ou de produto do mercado, com impacto jurídico, financeiro, na reputação e credibilidade da marca.

A Gaia te auxilia no planejamento da comunicação das ações ESG, para que reflitam estritamente a realidade, que pode ser comprovada por dados e evidências. Esta comunicação estratégica também proporciona que a sustentabilidade agregue valor à sua marca e forneça informações relevantes e pertinentes à cada público e contexto.

 

Fernanda Féder Paraná

Bióloga licenciada pela UFPR, pós-graduada em Estratégia e Sustentabilidade Empresarial pela FAE Business School.
Consultora de Sustentabilidade e Diversidade &
Inclusão na Gaia | Negócios de Impacto, trabalha há mais de 20 anos com as temáticas de sustentabilidade/ESG.

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